PERDAS
Pensando, analisando franca e verdadeiramente as nossas perdas durante a vida. Fui vagarosamente chegando a algumas analíticas. Não sou analítico, porém procede. E vagarosamente cheguei à seguinte conclusão vamos ver se você querido e paciente leitor, blogueiro, participante ativo dessa mais contemporânea, moderna impossível "nova" arte concorda.
Ao nascermos perdermos o aconchego e proteção do útero materno onde estamos imunes a tudo.
Aliás, se há um momento que invejo a mulher é no fato delas terem o dom de gerar o filho, de dar à luz, parir mesmo; Carregá-lo durante nove meses e de o sentir entrando literalmente para o mundo, saindo entre as suas pernas e ela ali incrédula assistindo a tudo, curtindo aquela dor num misto de prazer e horror. Deve ser do cassete. Ou melhor, lindo, indescritível... Maravilhoso.
E aí começam as nossas perdas junto com o rompimento da bolsa, e vão aumentando significativamente sem parar num pique impressionante como diz um amigo americano dont' stop!
Vamos crescendo e continuando perdendo. Primeiro o encanto, aos poucos e de repente a nossa inocência, junto com a pureza que vai se perdendo entre os dedos como água para chocolate. (Aqui fazendo referencia a um belo filme, se ainda não viu...? Veja! E se já viu veja outra vez!) Daí as perdas vão se complicando.
Perdemos o ano, o cachorro, o peixinho, o primeiro amor platônico onde o que realmente importa, e somente importa é esse amor, mesmo sem o outro na maioria das vezes nem saber da nossa existência ou a desse amor. E sofremos muito como ninguém no mundo inteiro ou quem sabe em todo o universo. Ai como sofremos.
Perdemos os nossos amados. A ponta do dedão em um caprichado chute á gol.
Perdemos os queridos e inseparáveis amigos do colegial, hoje ensino fundamental.
Perdemos a excitação, o tesão, a educação a emoção e a razão.
Perdemos o arrepio, o calafrio, a falta de ar, a vergonha, a virgindade, o libido, e às vezes até a dignidade.
Perdemos o momento certo, o beijo incerto, incorreto e incompleto. Enfim perdemos a infância, a juventude, a adolescência.
Perdemos a vivencia e a saliência.
Perdemos o ônibus. A carona e sem sombra de duvidas a companhia.
Perdemos a roupa. O final do filme e o ultimo capitulo.
Perdemos a hora, o bom tempo, o bom senso, O bom argumento.
Perdemos o pôr do sol. O anoitecer e o alvorecer.
Perdemos a esperança, perdemos a confiança o credito e o documento.
Perdemos a idéia, a oportunidade, a capacidade, a individualidade e a liberdade.
Perdemos a noite, perdemos o prazer, o amor pelo próximo.
Perdemos o raro prazer de ter consciência plena de não perder mais nada nem a essência, nem a sabedoria de ter sempre muito amor próprio.
Beleza realmente não quer dizer nada!
Vejam que estória fantástica e o que é o "tal" pré-conceito. Julgar somente pelo que alguém ou alguma coisa nos parece ou se apresente. Às vezes não damos nem a chance disso que nos parece estranho nos provar o contrário.













